
É injustificável o silêncio da Braskem quanto à remuneração variável paga anualmente aos trabalhadores. O prejuízo histórico de R$ 10,2 bilhões não foi construído pelos trabalhadores, mas por uma administração desastrosa do grupo Odebrecht, apelidada recentemente de Novonor. O resultado recente não se explica somente pelo ciclo de baixa. Soma-se a este fenômeno o maior acidente ambiental urbano, ocorrido em Maceió, e a fragilidade do grupo majoritário dono da Braskem que fez acordos na Justiça, pagando multas por casos de corrupção.
Todos os anos, os resultados sempre foram divulgados para os trabalhadores logo após a divulgação para o mercado.
O ciclo de baixa do setor petroquímico é real. O momento é de aumento de oferta com novos competidores e novas tecnologias, provocando queda na diferença entre preços de captação de matérias-primas e preço final de produtos, assim reduzindo o lucro das empresas. Este ciclo corre independente dos ciclos econômicos. Logicamente, as empresas se preparam para este momento, incluindo investimentos e desinvestimentos.
O desastre ambiental de Alagoas, com afundamento do solo provocado pela exploração de salgema para produção de cloro, soda cáustica e consequentemente PVC, provocou o deslocamento de milhares de famílias e empresas e a desocupação de cinco bairros.
A Braskem já gastou R$ 13,9 bilhões de R$ 18 bi previstos. Se a Braskem tivesse feito o que era certo durante a exploração de salgema, será que os prejuízos financeiros e os dramas gerados nas famílias seriam outros?



