
Foto: Affonso Fontoura
“Sem Estado forte não existe desenvolvimento nacional”, afirmou o comunicador pernambucano, para um auditório lotado.

Foto: Affonso Fontoura
O papel do Estado e das empresas públicas no desenvolvimento regional e nacional foi tema do debate realizado nesta sexta-feira,05/05, pelo Sindiquímica Bahia, reunindo o historiador e comunicador popular Jones Manoel, o coordenador-geral licenciado da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, e o dirigente da Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia (Fetrab), Kleber Rosa.
O auditório ficou lotado de trabalhadores, representantes de diversas categorias e integrantes de movimentos sociais, em um debate marcado pela defesa das estatais, da soberania nacional e da industrialização brasileira. Também houve críticas ao modelo de austeridade mantida pelo atual governo que provoca o desmonte dos serviços públicos estratégicos.
“A gente precisa reencantar a classe trabalhadora e a juventude, e isso passa necessariamente por um debate econômico centrado no programa anti-neoliberal, que enfrente o capital estrangeiro, o rentismo e a dependência das matérias-primas exportadoras e consiga oferecer concretamente melhora no emprego, nos salários, nos direitos, nos serviços públicos e na perspectiva de futuro para a classe trabalhadora brasileira”, disse Jones Manoel.
Nascido em Recife, Jones Manoel é graduado em História e doutorando em Serviço Social pela Universidade Federal da Alagoas. Autor de obras como “A Batalha pela Memória”, “A Negação do Brasil Negro” e “Cinismo e a morte da esquerda brasileira” (em coautoria com Heribaldo Maia), foi filiado ao PCB até 2023 e atualmente integrando o PSOL, partido pelo qual é candidato a deputado federal por Pernambuco.
A abertura da atividade foi feita pelo diretor do Sindiquímica Bahia, Alfredo Santos, que destacou a independência política do sindicato na promoção de debates sobre os rumos do país.
“Fomos nós que ajudamos a eleger esse governo e que vamos, mais uma vez, contribuir para a reeleição. Portanto, temos o direito e o dever de cobrar e de criticar sempre que for necessário. O nosso inimigo não está entre nós. Sabemos muito bem quem quer explorar a classe trabalhadora e impedir o desenvolvimento do país”, afirmou Alfredo, que mediou o debate.
Durante sua fala, Jones Manoel defendeu o protagonismo do Estado como condição histórica para o desenvolvimento econômico, industrial e tecnológico das nações.
“Historicamente, não existe desenvolvimento com complexidade produtiva, industrialização, geração de empregos qualificados, ciência e tecnologia sem planejamento estatal, sem protagonismo do Estado. O mercado privado pensa no lucro de curto prazo, no maior lucro possível, inclusive deixando destruição ambiental e todo passivo para a classe trabalhadora brasileira”, afirmou.
Segundo Jones, o Brasil precisa enfrentar o modelo neoliberal e superar a lógica de uma economia baseada na exportação de commodities, na financeirização e na superexploração do trabalho.
“É fundamental que o Brasil entre numa nova era econômica, enfrentando o programa neoliberal e superando essa economia primária exportadora, rentista, de superexploração da força de trabalho, empregos de baixos salários, destruição ambiental, miséria e desigualdade pro povo”, destacou.
O historiador também ressaltou o papel político e formativo dos sindicatos na organização da classe trabalhadora.
“O Sindiquímica cumpre um papel fundamental na Bahia, que é não só defender essa categoria tão importante, como promover o esclarecimento, a elevação do nível de consciência da classe trabalhadora de maneira geral. Porque a gente sabe que o sindicato, como diria Marx, é a arma da classe trabalhadora na guerra de guerrilha contra o capital”, declarou.

Foto: Affonso Fortunato
Vender a Bahiagás é trair os baianos
Tanto Jones Manoel, quanto Deyvid Bacelar e Kleber Rosa, fizeram questão de vestir a camisa da campanha do Sindiquímica contra a privatização da Bahigás. Em suas falas, todos reforçaram a importância da defesa da Bahiagás enquanto empresa pública estratégica para o desenvolvimento do estado e do país.
“Debater sobre o papel do Estado no desenvolvimento nacional é também debater a função da Bahiagás, enquanto uma empresa pública, uma das maiores da América Latina em gás natural, que não pode ser privatizada”, afirmou Jones Manoel, que já realizou duas entrevistas em seus canal, com o diretor Alfredo Santos, para demonstrar seu apoio à campanha contra a privatização.
Segundo Jones Manoel, a companhia possui papel central em um projeto nacional de reindustrialização, geração de empregos e transição energética.
“A Bahiagás tem um papel estratégico num projeto nacional para enfrentar o neoliberalismo, criar empregos de qualidade no Brasil, pensar a reindustrialização do nosso país, inclusive da transição energética, porque o gás natural tem um papel fundamental na superação da dependência do petróleo”, disse.

Foto: Affonso Fortunato
O comunicador defendeu ainda que a empresa permaneça sob controle público e popular.
“A Bahiagás precisa ser pública, controlada pelo povo e estar submetida a um plano estratégico de desenvolvimento produtivo da Bahia e do Brasil”, ressaltou.
Ao criticar os processos de privatização, Jones citou como exemplo a venda da Refinaria Landulpho Alves, atual Refinaria de Mataripe, privatizada em 2021 pelo Governo Bolsonaro e transferida para controle do fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos.
“A privatização não dá certo, privatização é uma tragédia para o povo”, afirmou, ao relacionar a venda da refinaria ao aumento dos preços dos combustíveis na Bahia.
Jones Manoel veio a Salvador a convite de Kleber Rosa para uma série de atividades nas universidades públicas. O debate promovido pelo Sindiquímica Bahia integrou a agenda do sindicato em celebração do Mês do Trabalhador e de mobilizações em defesa das empresas públicas e do fortalecimento da indústria nacional.



