Cesta Básica em Salvador sobe 9,70% em Setembro.

Devido à pandemia do coronavírus, em 18 de março, o DIEESE suspendeu a coleta presencial de preços dos produtos que fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos nas 17 capitais onde o levantamento é feito mensalmente (os dados parciais de março foram divulgados no final daquele mês). Desde então, a entidade realiza uma tomada especial de preços à distância para verificar o custo da cesta básica onde o levantamento é realizado.

A pesquisa à distância foi realizada em 15 capitais, em setembro. Na cidades de São Paulo e Belém, o DIEESE manteve a coleta de preços presencial, com número menor de pesquisadores e em horários em que os estabelecimentos estavam mais vazios.

As feiras livres, que também fazem parte da pesquisa regular, não estão sendo pesquisadas em nenhuma cidade.

Resultados obtidos na tomada de preços

  • Os dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (tomada especial devido à pandemia do coronavírus), realizada pelo DIEESE, indicaram que, em setembro, os preços do conjunto de alimentos básicos, necessários para as refeições de uma pessoa adulta (conforme Decreto-lei 399/38) durante um mês, aumentaram em todas as capitais pesquisadas. As maiores altas foram observadas em Florianópolis (9,80%), Salvador (9,70%) e Aracaju (7,13%).
  • Em São Paulo, uma das capitais onde foi realizada coleta presencial, a cesta custou R$ 563,35, com elevação de 4,33% na comparação com agosto. No ano, o preço do conjunto de alimentos subiu 11,22% e, em 12 meses, 18,89%.
  • Com base na cesta mais cara, que, em setembro, foi a de Florianópolis (R$ 582,40), o DIEESE estima que o Salário Mínimo Necessário deveria ser equivalente a R$ 4.892,75, o que corresponde a 4,68 vezes o mínimo vigente de R$ 1.045,00. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. Em agosto, o salário mínimo estimado foi de R$ 4.536,12 ou 4,34 vezes o piso vigente.
  • O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta, em setembro, foi de 104 horas e 14 minutos, maior do que em agosto, quando ficou em 99 horas e 24 minutos.
  • Quando se compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, ou seja, após o desconto referente à Previdência Social (alterado para 7,5% a partir de março de 2020, com a Reforma da Previdência), verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em setembro, na média, 51,22% do salário mínimo líquido para comprar os alimentos básicos para uma pessoa adulta. Em agosto, o percentual foi de 48,85%.

TABELA 1

Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (tomada especial)

Custo e variação da cesta básica em 17 capitais

Brasil – setembro de 2020

Capital Valor da cesta Variação mensal (%) Porcentagem do Salário Mínimo Líquido Tempo de trabalho Variação anual (%) Variação em 12 meses

(%)

Florianópolis 582,40 9,80 60,25 122h37m 13,82 28,02
Rio de Janeiro 563,75 6,42 58,32 118h41m 9,06 23,03
São Paulo 563,35 4,33 58,28 118h36m 11,22 18,89
Porto Alegre 552,86 4,59 57,19 116h23m 9,20 20,64
Vitória 539,36 5,87 55,80 113h33m 8,04 25,71
Curitiba 524,25 3,70 54,24 110h22m 14,25 23,41
Goiânia 510,52 5,66 52,81 107h29m 12,26 30,46
Campo Grande 492,80 1,72 50,98 103h45m 9,49 24,14
Belo Horizonte 491,62 2,83 50,86 103h30m 10,50 25,76
Fortaleza 485,75 5,11 50,25 102h16m 12,02 26,44
Recife 464,31 5,72 48,03 97h45m 17,91 26,46
Salvador 459,33 9,70 47,52 96h42m 27,41 33,12
Belém 459,21 4,01 47,51 96h41m 10,89 20,18
Brasília 445,76 0,56 46,12 93h50m -5,94 6,13
João Pessoa 432,04 4,23 44,70 90h58m 15,65 20,14
Aracaju 426,87 7,13 44,16 89h52m 21,28 29,87
Natal 422,31 0,68 43,69 88h55m 10,05 19,78

Fonte: DIEESE

Principais variações

  • O preço do óleo de soja apresentou alta em todas as capitais, com destaque para Natal (39,62%), Goiânia (36,18%), Recife (33,97%) e João Pessoa (33,86%). Os estoques brasileiros de soja e derivados estiveram baixos, em razão da alta demanda externa e interna.
  • O valor médio do arroz agulhinha ficou maior nas 17 capitais, com destaque para as variações de Curitiba (30,62%), Vitória (27,71%) e Goiânia (26,40%). O elevado volume de exportação e os baixos estoques mantiveram os preços em alta. Os efeitos da importação do grão com imposto zero não foram registrados em setembro.
  • O preço da carne bovina de primeira foi maior, em relação a agosto, em 16 cidades, e as taxas variaram entre 0,66%, em Brasília e 14,88%, em Florianópolis. A única redução foi anotada em Porto Alegre (-0,49%). A elevada demanda externa, os altos custos dos insumos – farelo de milho e soja, além da menor oferta de animais para abate foram os motivos para o comportamento do preço médio da carne.
  • A banana mostrou elevação no valor médio em 15 cidades. A pesquisa coleta os tipos prata e nanica e faz uma média ponderada dos preços. Os aumentos mais expressivos ocorreram no Rio de Janeiro (19,01%), Aracaju (18,93%) e Porto Alegre (17,76%). A baixa oferta de banana e a maior demanda no Sul e no Sudeste explicaram o resultado de setembro.
  • Em setembro, o preço médio do açúcar subiu em 15 capitais e as maiores taxas foram observadas em Salvador (8,19%) e Brasília (8,06%). O aumento no ritmo das exportações do açúcar e a alta demanda da cana, principalmente para a produção de etanol, elevaram o preço no varejo do açúcar cristal e refinado.
  • A alta no preço do leite integral foi registrada em 14 cidades e variou entre 1,10%, em Belém e 10,99%, em João Pessoa. Este resultado deveu-se à maior concorrência entre as indústrias produtoras de laticínios para a compra do leite no campo, à elevação do custo dos insumos, como farelo de milho e soja, e à estiagem, que prejudicou as pastagens.
  • O quilo do tomate aumentou em 14 capitais, com destaque para variação em Salvador (32,12%) e Porto Alegre (29,11%). A alta no varejo ocorreu devido à menor disponibilidade do fruto.
  • A batata, pesquisada no Centro-Sul, teve o valor médio reduzido em sete das 10 cidades. As quedas oscilaram entre -2,53%, em Campo Grande e -26,37%, em Vitória. O avanço da colheita e o calor elevaram a oferta do tubérculo, baixando o preço ao consumidor final.

Salvador – Números de setembro

  • Valor da cesta: R$ 459,33.
  • Variação mensal: 9,70%.
  • Variação no ano: 27,41%.
  • Variação em 12 meses: 33,12%.
  • Ocupou a 12ª posição entre as capitais mais caras
  • Os 12 produtos registraram alta de preço médio em relação a agosto: tomate (32,12%), óleo de soja (30,11%), arroz (16,00%), pão francês (11,51%), açúcar cristal (8,19%), carne bovina (6,33%), café em pó (4,71%), leite integral (4,63%), feijão carioquinha (3,70%), farinha de mandioca (2,84%), manteiga (1,82%) e banana (0,42%).
  • Jornada necessária para comprar uma cesta básica: 96 horas e 42 minutos.
  • Percentual do salário mínimo líquido gasto para compra dos produtos da cesta para uma pessoa adulta: 47,52%.

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