Fique atento aos sinais de depressão e procure ajuda

Fique atento aos sinais de depressão e procure ajuda

No dia 12 de maio do ano passado, um companheiro da Engepack tirou a própria vida dentro da fábrica. Início do expediente, 7h, ele chegou normalmente para trabalhar e minutos depois subiu no telhado de um dos galpões da empresa e se jogou. Tudo aconteceu muito rápido. Ele morreu minutos depois e apesar da comoção geral pelo ocorrido, a gestão da empresa decidiu continuar operando a fábrica normalmente. Isso causou a indignação entre os trabalhadores. Não sabemos sob que circunstâncias o trabalhador se sentiu pressionado a tirar a própria vida. O que sabemos é que número de suicídios vem aumentando assustadoramente no Brasil, já estamos no 8º lugar no ranking de mortes por suicídio no mundo. Na Bahia, segundo a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), foram contabilizados 3.324 casos entre 2010 e 2017. Neste ano já foram 114 registros.

São vários os fatores, mas os dados apontam que quase 100% das pessoas que se suicidaram enfrentavam depressão, um mal que atinge a todas as categorias de trabalhadores. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em informações do INSS, o transtorno mental – dentre ele a depressão - é a principal causa dos afastamentos do trabalho para tratamento de saúde. Metas abusivas, cobranças constantes por resultados, assédio moral, o isolamento na realização de tarefas, a competitividade entre os trabalhadores imposta pelas gestões, são alguns dos agentes motivadores para as doenças mentais nos locais de trabalho. O problema se acentua agora que vivemos tempos de crise econômica, instabilidade social, alto índice de desemprego acompanhados da insegurança e temor de ficar sem trabalho. “Quem trabalha, portanto, trabalha sempre sob a angústia da possibilidade de perder seu emprego seu sustento, seu valor social, ferir parte de sua identidade. Quem não tem emprego tem ainda mais medo: de não aparecer outro bico de não ter o pagamento garantido”, diz a psicóloga Carolina Grando.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, nove em cada 10 casos poderiam ser prevenidos, por isso que é muito importante procurar ajuda. Por isso, o órgão desde 2003 instituiu a campanha Setembro Amarelo como mês internacional de prevenção do suicídio.  Ela faz parte do calendário de ações que buscam qualificar as redes de cuidado à saúde para lidarem com o tema, bem como sensibilizar a população para identificar e ajudar pessoas que tendam a atentar contra a própria vida. No Brasil, essa campanha foi iniciada em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade filantrópica que oferece apoio emocional a partir do número telefônico 188, pelo qual se pode acessar voluntários que se disponibilizam a conversar com pessoas em profundo sofrimento.

Caps reduz incidência

Para cuidar dos tipos de sofrimento mental o Sistema Único de Saúde (SUS) conta com os Caps (Centros de Atenção Psicossocial) e os Caps AD (Centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas), serviços especializados em saúde mental que dispõem de equipes compostas por diversas categorias profissionais para realizar atendimentos individuais, atividades em grupo no interior desses dispositivos e no território, dentre outras ações.

Segundo a coordenadora técnica do Caps AD III Antônio Carlos Mussum, Sarah Fonseca, se por um lado, o Setembro Amarelo tem sido bem sucedido no sentido de provocar alguma fissura no individualismo, sensibilizando para os sinais de desesperança de quem está deprimido, e estimulando o suporte familiar e social; por outro, o Ministério da Saúde promete o que não pode cumprir. Afinal, a Emenda Constitucional 95, assinada pelo governo golpista do Michel Temer em 2016, impede o financiamento em políticas sociais, dentre elas que a saúde cresça junto às demandas da população.

“Por isso, se solidarizar a essa campanha vai muito além de usar fitinha amarela, consiste em defender políticas públicas capazes de dar esperança ao povo. O desafio para os anos que se seguem compreende também nos fazer representar por quem investe efetivamente na manutenção da vida”, finaliza Fonseca.

Saiba mais:

www.setembroamarelo.org.br

 

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