Governo do estado e sindicatos tentam acordo contra fechamento das Fafens

Governo do estado e sindicatos tentam acordo contra fechamento das Fafens

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia e o sindicato dos petroleiros da Bahia e de Sergipe tentam acordo com a Petrobras para evitar o fechamento das Fábricas de Fertilizantes (Fafen) do Nordeste. Propostas são apresentadas desde o anúncio da estatal em fechar as Fafens da região.  A Petrobras pretende encerrar as atividades de duas fábricas do Nordeste e privatizar a de Araucária, no Paraná. Com o fechamento e a privatização, mais de dois mil funcionários serão demitidos, e os demais realocados para as regiões Sul e Sudeste

A Fafen Bahia teve sua operação iniciada em 1971 e foi a sua construção que estimulou a criação do Polo Petroquímico, sete anos depois, sendo assim o primeiro complexo planejado do País.

De acordo com o Sindipetro-BA, o fechamento das Fafens é prejudicial, tendo em vista a sua importância no setor de alimentação e de segurança, além de girar a economia para do estado.

Outro fator importante é a produção de insumo para fábricas vizinhas, como a Brasken, a Oxiteno e a Carbonor. Insumos estes produzidos, muitas vezes, exclusivamente pela fábrica de fertilizante. A exemplo disto está o bicarbonato de sódio grau hemodiálise, que é comercializado para a Carbonor, que utiliza na confecção de produtos para o tratamento de pacientes com hemodiálise.

O diretor do sindicato dos petroleiros e funcionários da Fafen Bahia, Jailton Andrade, defende que o fechamento da fábrica é inconstitucional.

“Empresas públicas criadas por lei por causa do interesse e relevância da existência dela não podem ser fechadas sem a autorização do Legislativo. Para encerrar, o Legislativo precisa avaliar se a empresa é relevante ou não para o estado”.

Além disso, o sindicato informa que a justificativa da Petrobras para pedir o fechamento das Fafens é que as fábricas não dão lucro, pois, após estudo realizado pela estatal, foi descoberto o prejuízo de R$ 200 milhões, pela Fafen Bahia, e R$ 600 milhões, em Sergipe, em 2017. Ainda segundo o levantamento, o prejuízo perduraria por 12 anos.

Porém o sindicato diz que este levantamento não bate e que a empresa continua dando lucro, pois o gás natural é comprado da própria Petrobras e até meados deste ano aumentou o valor do produto em 120%.

“Em 2018 o aumento do gás natural foi substancial, até o meado deste ano o aumento foi tão grande que fábrica de fertilizante passou a pagar de US$ 4 para US$ 11, isso para inviabilizar as fábricas e o custo de produção. Mas a Petrobras continua lucrando com a venda do gás para as Fafens”, disse Andrade.

Junto com o sindicato, Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia apresentou propostas para a Petrobras para manter a fábrica ativa no estado, sendo um deles a redução de impostos. Para a secretária de Desenvolvimento, Luiza Maia, “a Fafen é uma unidade crucial para o Polo de Camaçari, com produções essenciais para a indústria química, farmacêutica, agricultura e pecuária, não só da Bahia, mas do Brasil”.

Caso a petrolífera siga com o fechamento para o final de janeiro, como prometido, a economia dos estados será afetada de forma gravíssima.

“Entre as consequências está o fechamento da única produtora no Brasil de bicarbonato de sódio, destinado à hemodiálise, o aumento das importações de insumos e a perda nas exportações. Além disso, no caso do Nordeste, teríamos, só com o fechamento das Fafens, a perda de aproximadamente 2,5 mil empregos, sem considerar as perdas advindas de outras fábricas ligadas à cadeia produtiva”, explicou o superintendente Paulo Guimarães.

Fonte: Jornal A Tarde

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