Centrais sindicais e movimentos populares apoiam greve dos caminhoneiros

Centrais sindicais e movimentos populares apoiam greve dos caminhoneiros

Representantes de centrais sindicais manifestaram apoio à greve dos caminhoneiros, por seu caráter de defesa de uma nova política de preços para a Petrobras. "A população precisa apoiar este movimento que não é somente contra o reajuste dos combustíveis, é contra a privatização da Petrobras. O governo está utilizando esses aumentos para defender a venda da estatal", afirma o presidente da CUT, Vagner Freitas. "O Brasil tem de extrair o petróleo e refinar aqui, como era feito antes desse governo. Só assim conseguiremos baratear os combustíveis", acrescenta.

Segundo ele, atualmente 25% do produto é importado e ainda há uma previsão de privatizar quatro refinarias. "Com isso, milhares de empregos serão perdidos aqui enquanto fora do país são gerados novos postos de trabalho."

Para o dirigente, a paralisação dos caminhoneiros é um movimento legítimo diante da política de um governo ilegítimo. Os aumentos nos preços dos combustíveis, diz, torna inviável o sustento do profissional, pois o valor da frete não cobre os reajustes. Além disso, os constantes aumentos têm reflexos nos preços de outros produtos importantes no consumo diário, como gás e pão.

A CTB também considera justo o movimento. "O pleito corresponde também aos interesses majoritários da sociedade. A nova política de preços para o diesel, a gasolina e outros derivados do petróleo, estabelecida pela direção da Petrobras em meados do ano passado, é particularmente danosa para os caminhoneiros, mas prejudica também os agricultores, outros ramos da economia e os consumidores em geral", afirma o presidente da central, Adilson Araújo. "O mesmo raciocínio se aplica ao gás de cozinha, hoje inacessível para milhões de brasileiros, forçados a usar o fogão a lenha, com notórios prejuízos para a saúde e o meio ambiente."

Brasil já tem a gasolina mais cara do mundo

Após ter reajustado os preços da gasolina e do diesel cinco vezes seguidas nas últimas semanas, a gestão golpista de Parente criou o caos no Brasil. A greve dos caminhoneiros vem provocando desabastecimento no país. Os caminhoneiros reivindicam a redução dos impostos, como o PIS/Pasep e Cofins, e também a extinção do Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) que, juntos representam quase metade do preço do diesel nas refinarias. A greve não sensibilizou a gestão golpista da Petrobrás que deu declaração dizendo que a política de preços não mudará.

Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), desde que implantou, em outubro de 2016, uma nova política de preços, obrigando a Petrobrás a praticar a paridade com o mercado internacional, o presidente Pedro Parente vem prejudicando a população brasileira e beneficiando as importadoras de derivados. Só no último ano, ele aumentou os preços da gasolina em cerca de 50%, segundo levantamento da Fecombustiveis. Nos postos de Salvador, o produto está sendo vendido a quase R$ 5,00.

A política de Parente já elevou também o preço do diesel nas refinarias 121 vezes, uma alta de 56,5%. Em pouco mais de 10 meses, o litro do produto passou de R$ 1,5006 para R$ 2,3488.  O consumidor está pagando 17% a mais no preço médio da gasolina, 18% a mais no litro do diesel e 26% a mais pelo botijão de gás de cozinha, quando a inflação oficial acumulada nos últimos 12 meses é de 2,68%. Em Salvador, nas distribuidoras, o preço do botijão gás de cozinha de 13 quilos custa R$ 68,00 (dinheiro) e R$ 71,00 (no cartão).

Levantamento feito pela consultoria Air–Inc, em fevereiro deste ano, já apontava o Brasil como a segunda gasolina mais cara entre os 15 países que mais produzem petróleo no mundo. Os combustíveis impactam diretamente no valor dos transportes públicos e dos fretes rodoviários, que refletem nos preços dos alimentos e dos produtos industrializados.

Com essa política estamos voltando aos anos 90, durante o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, quando a gasolina brasileira chegou a ser cotada entre as 20 mais caras do mundo. Para se ter uma ideia, entre 1995 e 2002, o preço do combustível sofreu reajustes de 350%, uma média de 44% ao ano.

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